7 March 2008

Finito.

Não vale a pena esconder o que é evidente. O Take 3 está morto e enterrado, e estas ruínas que aqui vêem é tudo o que resta. É infeliz, mas é assim a vida – nem tudo é eterno.

Quem gostava de me ler pode continuar a fazê-lo porque a minha paixão por cinema e pela blogosfera está longe da decadência (é provável que estas duas sejam eternas). Convido-vos então para a minha Cave nova (infestada de Ratos, claro está). É lá que vou escrever os meus comentários a tudo e mais alguma coisa relacionada com o grande ecrã. Caso gostem de reviver o passado, está lá também arquivada a maioria dos meus posts aqui do Take 3.

Há Ratos na Cave
(ratosnacave.wordpress.com)

17 February 2008

The End.

É com muita pena que venho anunciar o final da minha participação neste blog.
Principalmente pela falta de tempo e pelo descuido que se apoderou deste blog nos últimos tempos, eu e a Filipa decidimos abandoná-lo.
Este foi um projecto que nos deu prazer, posso afirmar em nome de ambas. Correu bem durante algum tempo, mas ultimamente tornou-se praticamente insustentável.
Agradeço a todos os que aqui passaram - foram mais de 7 mil - e a todos os que deixaram comentários de apoio, crítica, ou qualquer outra coisa. Fizeram-nos sentir que o blog estava vivo. Por isso mesmo também peço desculpa, não conseguimos corresponder totalmente às vossas expectativas.
O blog ficará, então, inteiramente a cargo do João Guilhoto, que o manterá em seu nome pessoal. Eu e a Filipa cessamos hoje funções.
Por enquanto não tenho outro blog a anunciar, mas a Filipa trará novidades em breve.
Beijos e obrigada mais uma vez,
Patrícia Fernandes.

14 November 2007

Taxi Driver (1976)

You talkin' to me?

Como Scorsese foi o vencedor do nosso inquérito de semana temática, eu vou dar um avanço com um dos meus filmes favoritos, não apenas dele, mas do cinema em geral.

Realização: Martin Scorsese

Elenco: Robert de Niro, Cybill Shepherd, Harvey Keitel, Jodie Foster

Argumento: Paul Schrader

Resumo: Travis Bickle é um ex-veterano de guerra do Vietnam que chega a Nova Iorque e arranja um emprego como taxista, trabalhando durante a noite nos locais mais sujos e perigosos da cidade. Travis leva uma vida solitária e é obsessivo por tudo o que diz respeito a assuntos de carácter sexual, passando por isso os seus tempos livres em cinemas pornográficos. Devido ao seu demasiado envolvimento na sociedade do submundo de Nova Iorque ele começa a gerar sentimentos de revolta pela miséria, vício, violência e prostituição.

Crítica: Taxi Driver é mais do que uma história sobre um homem solitário e traumatizado de uma Nova Iorque suja, perigosa e triste dos anos 70. É uma metáfora para a vida em geral, para o desassossego interior que nos atormenta. É o levar ao cúmulo as inquietudes do ser humano. O único factor de ligação entre o protagonista e o Mundo é o táxi, que o leva a percorrer a cidade e o faz ver a degradação que escorre pelas ruas. O filme tem um crescendo de intensidade dramática notável, que mostra o anti-herói desde a sua fase mais calma até ao momento em que ele começa a perder a cabeça. Outra coisa fantástica é a forma como a câmara acompanha todos os movimentos de Travis. Tudo o que sabemos é tudo o que ele sabe, praticamente a totalidade do que ele nos conta; e mais do que uma narração de uma história somos levados até aos labirintos do cérebro de um ser humano, sem tabus. O ser humano neste filme é reduzido às suas fraquezas, aos seus instintos mais carnais e animalescos. Um outro aspecto importante neste filme, na minha óptica, é o facto de o filme ser todo filmado praticamente ser recorrer ao estúdio de cinema, as ruas porcas que vemos são as ruas porcas que os nova-iorquinos viam. Esta é uma grande produção de cinema a todos os níveis, tanto de argumento, realização e representação, um dos filmes que lançou Robert de Niro como um dos nomes mais influentes do cinema nos anos 70 e nos anos vindouros.

Prémios ganhos / Nomeações importantes: Nomeado para quatro Óscares da Academia, para Melhor Actor Principal (Robert de Niro), Melhor Actriz Secundária (Jodie Foster), Melhor Música (Bernard Herrmann) e Melhor Filme. Golden Palm do Festival e Cannes.

10/10

20 October 2007

Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask (1972)

Sex is not a tabu...

Realização: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, John Carradine, Tony Randall, Lou Jacobi, Louise Lasser

Argumento: Woody Allen

Resumo: Este é um filme sobre sexo. Uma compilação de pequenas histórias que respondem a algumas perguntas tabu, como "Os afrodisíacos funcionam?" - uma história sobre um bobo que tem a missão de fazer sexo com a rainha; "O que é sodomia?" - a história de um médico que se apaixona por uma ovelha; "Porque é que algumas mulheres tem problemas a atingir o orgasmo?" - a história de um homem que não consegue levar a sua mulher ao êxtase; "Os travesti são homossexuais?"; "O que são pervertidos sexuais?"; "As descobertas sexuais dos cientistas que fazem pesquisa sexual são precisas?" e por fim, "O que acontece durante a ejaculação" - uma viagem ao interior do nosso corpo...

Crítica: Este filme aborda a questão da sexualidade de uma forma, que eu acho, genial. Alguns dos temas sobre os quais já nos questionámos muitas vezes são aqui retratados de uma forma divertida, inteligente, irónica. Não é preciso usar palavras demasiado ofensivas, não há necessidade de mostrar uma cena de sexo, não há necessidade para esconder a condição sexual do ser humano: tudo aqui é claro, simples, natural. Cada uma das histórias aborda um tema e cada uma tem um estilo diferente. O argumento é fascinante, caracterizado pelo estilo inconfundível de Woody Allen com diálogos simples, inteligentes. Este é um tema que o nova-iorquino aborda muito nos seus filmes e aqui, vemos o filme que ele dedica única e exclusivamente ao sexo. Preparem-se para rir, mas não para rir à gargalhada. Este é um filme com um tipo de humor bastante peculiar, sem dúvida e repito, genial. Todavia, está longe de ser o seu melhor filme.

Prémios ganhos / Nomeações importantes: -

9/10

14 October 2007

The Inner Life of Martin Frost (2007)

A film from a Writer, about a Writer, about Writing...

Realização: Paul Auster

Elenco: David Thewlis, Michael Imperioli, Irène Jacob, Sophie Auster

Argumento: Paul Auster

Resumo: Martin Frost é um escritor norte-americano, que sai de Nova Iorque para ir para uma casa no campo, onde se iria dedicar a escrever o seu próximo conto. Contudo, surpreendentemente, uma mulher desconhecida, Claire Martin, aparece lá em casa. Martin apaixona-se por Claire, mesmo não sabendo nada sobre ela, desconhecendo o seu paradeiro, o seu passado e a razão de ela ter aparecido lá em casa.

Crítica: Fui ver este filme ao cinema, essencialmente porque já tinha lido alguns livros de Paul Auster, mas nunca tinha visto um filme realizado por ele. O argumento, em termos da qualidade de escrita, é bastante original, com diálogos ricos e cheios de conhecimento, que transmitem a grande experiência e o domínio que o autor tem da palavras e da linguagem. Todavia, a história é um bocado estranha, digamos que o filme em si é estranho, pela complexidade interior da narrativa. Na parte técnica, o filme é mais fraco, na minha opinião, nota-se alguma limitação financeira na realização do filme, sendo este um filme não comercial, com baixos rendimentos. Podemos dizer, que este não é um filme muito atractivo, pode-se tornar até um bocado enfadonho em algumas partes, exige mais da nossa atenção e da nossa predisposição. A rodagem do filme teve lugar em Portugal, contando com alguns nomes portugueses na ficha técnica, como o produtor Paulo Branco. The Inner Life of Martin Frost, ou seja, A Vida Interior de Martin Frost, é realmente um filme que nos mostra a vida interior de um escritor e todos os seus delírios, fascinações, loucuras...

rémios ganhos / Nomeações importantes: -

6/10

12 September 2007

Platoon (1986)

We make choices, we risk our lives...

Realização: Oliver Stone

Elenco: Charlie Sheen, Tom Berenger, Willem Dafoe

Argumento: Oliver Stone

Resumo: Chris Taylor é um cidadão americano voluntário na Guerra do Vietname, que devido à sua fraca experiência em assuntos de guerra, a sua adaptação aos meios da vida militar torna-se complicada. Chris vê-se no meio de um conjunto de soldados terríveis, conflituosos, que são constantemente vítimas de emboscadas na floresta. O sargento Bob Barnes e o sargento Elias Grodin são como rivais no meio desta guerra e geram a instabilidade no grupo.

Crítica: Filmes de guerra nem sempre conseguem ser bons, são mais exigentes para que se consiga fazer algo bom mas que ao mesmo tempo não caia na desgraça de um puro filme de acção. Este junta-se à minha lista de filmes de guerra favoritos a par de Apocalypse Now e de The Deer Hunter. De facto, Platoon foi uma surpresa para mim. Para além de um argumento e de uma realização excelentes, com diálogos bem construídos, com um encadeamento da história lógico e sem erros, este é um filme que transmite realmente o sofrimento, a crueldade da guerra, que é um dos temas que deve ser alertado e representado no cinema, para nos informar da malvadez deste acto inerente ao ser humano. No filme vemos a vida que os soldados levam, o aguentar constante da vida por um fio, o sofrer com a ideia de nunca mais voltar a casa. Este também não é um filme que põe os americanos como heróis. É até um filme que exemplifica claramente alguns grandes defeitos dos americanos e que critica subtilmente o imperialismo americano. Contudo, Platoon não consegue atingir aquele toque mágico que os filmes de Coppola e Cimino conseguiram. É uma representação pura e dura de um cenário de guerra. Recomendo essencialmente a apreciadores do género.

Prémios ganhos / Nomeações importantes: Vencedor de Cinco Óscares (Melhor filme, melhor realizador, melhor edição, melhor som) e nomeado para mais quatro (melhor actor secundário Tom Berenger, melhor actor secundário Willem Dafoe, melhor cinematografia, melhor argumento).

9/10

11 September 2007

Great Expectations (1998)

A criminal can kill, but can also be generous.

Realização: Alfonso Cuarón

Elenco: Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow, Robert de Niro

Argumento: Mitch Glazer (da novela de Charles Dickens)

Resumo: Finn, um jovem rapaz pobre, pescador, órfão que vive com a irmã e o cunhado, com um grande talento para a pintura, é confrontado com um presidiário foragido, a quem ele ajuda a fugir, embora este acabe por ser apanhado. Ao longo da sua vida, Finn frequentava a casa de uma mulher muito rica e apaixonou-se pela sua sobrinha, Estella. Quando a vida lhe deu uma oportunidade no mundo das artes, Finn lutou pelo sonho de ser pintor e pelo amor de Estella. Nem ele fazia ideia quem estava por trás de tudo.

Crítica: O argumento é sem dúvida bom, ou melhor, a história é boa, o argumento achei um bocado fraco em relação aos diálogos. A representação dos actores tem nota positiva, embora algumas passagens eu tenha achado demasiado exageradas, demasiado romantizadas. A presença de Robert de Niro no filme é mais para preencher o cartaz do que outra coisa, embora embeleze sempre os cantos à casa. A sua presença é curta mas boa e isso é que interessa. A montagem é positiva, o filme é consistente, interessante, não é uma obra de arte a meu ver, mas desperta curiosidade e é uma história bem contada. É um bom filme mas não o considero obrigatório.

Prémios ganhos / Nomeações importantes: -

6/10